Angustiamor

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Ele dizia que as chagas haviam se fechado
E que as injúrias haviam sido superadas
Dizia que somente as mãos dela tocavam as suas
E que seus cabelos eram os únicos que se mantinham presos
no travesseiro dele pela manhã.
Ele dizia que a pele dela era a única coberta que aquecia
seu corpo no frio
E que seus olhos eram as únicas lâmpadas que ele acendia
nas noites em que a escuridão se fazia sombria.


E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.


Ele dizia que a cintura dela era a única silhueta de barro
moldada por suas mãos de oleiro
E que os seios dela eram seu único regaço
E que as unhas dela eram as únicas garras que marcavam seu corpo.


E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.


Ele dizia que quando não voltava depois da aurora
era porque estava desenhando seu rosto na areia da praia
E que quando a mandava fazer silêncio,
Era para que pudesse admirar mais facilmente as nuances de sua beleza.
Ele dizia que quando puxava seus cabelos, era para que
pudesse beijar seu longo colo com mais afinco.


E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.


Ele dizia que quando comprimia seu braço, era para que
pudesse trazê-la ao seu peito com mais rapidez
E que as marcas que permaneciam,
Eram marcas de amor.
Ele dizia que a pressão dolorosa que ela sentia nas faces de seu rosto
não eram bofetadas,
Eram o sopro de suas mãos masculinas no seu rosto feminino,
Para que ela sentisse suas indignações e a proporção de seu amor desenfreado.


E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.


Ele dizia que a sombra roxa nos olhos dela eram apenas rastros dos momentos insensatos
de seu amor doentio
E que sua falta de dentes era um pedido de que aquele amor permanecesse em segredo sacramentado,
Apenas entre eles dois.
Ele dizia que a amava.


E, apesar da dor, ela cria piamente em tudo.










de Manoelle D'França




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Tudo o que tenho

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Tudo o que tenho
É tudo o que vejo
Tudo o que vivo
É tudo em que acredito.
Tudo o que em ti nasce
É tudo o que em mim renasce.
Tudo o que quero
É tudo o que sonho.


de Manoelle D'França








Sonhos sobre sonhos



Os sonhos muitas vezes são reais
Os sonhos muitas vezes são fatais
Muitas vezes nos tornam tolos
Apesar de sonhar nunca ser demais.

Os sonhos transformam a vida
Abrem ou fecham feridas
Transcedem o real e a ilusão
Sangram ou cicatrizam o coração.

Os sonhos movem os obstáculos
Abrem o rolo da vida como um pergaminho
Tirando ou botando tais obstáculos em nosso caminho
Os sonhos criam ou enterram uma esperança
Levantam ou derrubam aquele que se cansa.

Tornam difícil ou fácil
Tornam forte ou frágil
Tornam uma pessoa iludida
Mas nunca deixam de abrir caminho para uma nova vida.


de Manoelle D'França





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O teu sorriso




O teu sorriso...
O teu sorriso me é motivo de muitas alegrias,
Mas também me causa dor,
Por que parece que este não me pertence
Apesar de derramar amor.

Com tanta graça se intregas a mim
Toda vez que te vejo sorrir assim.
Mas não declaras o que sentes
Por que à outra teu coração pertence.
Mas o teu sorriso...
Este sim, é meu!
Tanto quanto o meu é teu.

Com apenas um sorriso, 
Uma vez me disseste que ela tem apenas parte do teu coração,
Mas que eu o tenho por inteiro
Por que quando sorris, tu sabes me deixar sem ação.
Flutuo no ar que tu respiras,
Me perco na maciez dos teus lábios,
Mergulho na imensidão das tuas palavras.
Palavras que tu não me dizes, mas que me sorris como que sagradas.
A verdade nua
É que mesmo que nunca me toques
Sempre serei tua.
Me sorrias assim,
E sempre terás o que quiseres de mim.



de Manoelle D'França 

Quem seria?



Eu sou sentido por todos
Evitado por muitos
Estou sempre aqui
Com um objetivo por cumprir

Tristeza que bate
Luz da lua que invade
Ilumina os cantos escuros da casa
Cobre de luz minha felicidade rasa
Coração vazio
Pelo corpo um frio
Ouço chamados ao luar
Chamados de uma voz familiar
Voz que me convida ao relento
E em seu tom, sinto o teu corpo sedento

Eu me declaro, eu me exponho
Eu te conquisto, eu te proponho
Uma noite sem fim
Uma vida de eternidade
O inquietante prazer de viver um amor de verdade

Eu sou o que muitos dizem que não acreditam
Eu sou o que todos um dia dirão que já sentiram
Eu sou o mais forte dos sentimentos que vivos permaneceram
Eu sou o mais estúpido dos sentimentos que para muitos pereceram
Eu sou a coisa mais pura, mais agressiva
Mais bela, mais corrosiva
Mais absoluta, mais incompleta
A coisa mais confusa, mais direta
Que mais causa dor, que mais causa clamor
Eu sou aquele que chamam de AMOR


de Manoelle D'França


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