E se?

  • 0
 
 

Se você disser que me ama, esperará que eu me entregue?
E se eu disser que nunca me entrego, nem aos meus obstáculos e nem a ninguém?
Se eu disser que te amo, você será incondicionalmente ao meu lado?
E se eu disser que o incondicional não há?

E se eu provar que não sou como as outras?
Que piso em todos que se curvam demais diante de mim?
Ainda assim tentaria encarar-me na altura dos olhos?
E se eu os fechar?

E se eu disser que não presto?
Decidirá correr incansavelmente atrás de mim?
E se eu disser que correr não adianta, porque só sei voar?
Ainda assim você decidiria pegar carona com um anjo?

E se eu disser que um anjo levaria-te alto demais, enquanto que eu voo quase com os pés no chão?
Ainda assim tentaria flutuar para alcançar-me?
E se eu disser que não sinto nada por ti, você acredita?
E por que será que, apesar de tudo, eu também não acredito?



Manoelle D'França

 Veja esta publicação no Juventude Clichê.

A Velha Morada

  • 2

Desenho espirais na poeira da mesa.
Enquanto junto as cadeiras, relembro as cenas de uma antiga surpresa.
As fotografias e roupas espalhadas pelo chão,
Trazem-me ao pé do ouvido uma velha canção.

Cândidos pássaros invadem a casa,
Fazem-me acreditar em um possível recomeço.
Solos de piano invadem a sala
E fazem-me esquecer de tudo o que ainda conheço.

Sons que surgem do passado,
Pássaros enviados do futuro,
Luzes que ascendem das janelas,
Fazem-me respirar fundo.

Há algo distante daqui,
Porém vivente dentro de mim.
Algo parecido com esperança.
Contudo, não é bem o que parecia,
Recai-me como nostalgia.

Algo ainda habita a velha morada
E ainda deixa passos pelas escadas.
Algo como o brilho nos olhos de uma criança,
Que parecem relâmpagos de alegria
Distantes de quaisquer lástimas,
Mas que na verdade, são apenas lágrimas.




de Manoelle D'França


 Veja esta publicação no Juventude Clichê


Materno

  • 0



Tornou-se mulher
a moça que um dia foi menina.
E seu ventre fez-se crescer,
Fez-se nascer, gerar vida.
Anjo de luz esvaindo-se em amor,
Ser santificado
que traz em seu sangue a dor.

Mulher, genetriz, cúmplice, irmã;
Doce cantiga de cada manhã.
Amor inabalável,
Perdão incontestável.
A bússola que me leva ao norte,
A mais frágil das obras,
Erigida em colunas violentamente fortes.

A torre, o refúgio, o pão.
Guia que me carrega pela mão.
Do seu corpo perpetrei meus alentos:
Em seu ventre, lar;
Em seu seio, alimento.

Mãe.
Teu gerar penoso,
Teu olhar cauteloso,
Teu doce acalento,
Trazem-me proteção contra o cruel relento.
Mulher que ao conceber, fascina;
Teu incondicional amar ensina
que de tão esplêndida,
Para Mãe, não há rima.


de Manoelle D'França


 Veja esta publicação no Juventude Clichê

Canário & Carina

  • 0
 


No topo da colina
Vive uma menina
Preciosa beldade
Bonita Carina.
Menina, me olha
Carina risonha
A altura do monte para mim é peçonha.
Menina Carina
Levante o vestido
Ponha os pés no lago e faça um pedido
Que algum canoeiro a traga consigo
Que a deixe na margem e em tom de perigo
Avise que os pássaros tomam o lugar.
E quando te vir, para ficar contigo
Aprendo a andar ou te ensino a voar.



de Manoelle D'França


 Veja esta publicação no Juventude Clichê




 ㅤ